PI – PANORÂMICA INSANA | Yabatur
Terça-feira 16 de julho de 2019

Onde estamos? Para onde vamos? É possível alterar o futuro da humanidade? Ou o desastre é inevitável? O espetáculo ‘PiPanorâmica Insana’ busca dialogar com o momento atual e traz para a cena estas e outras questões. Baseada em pessoas e dados reais, a peça projeta uma lente de aumento sobre a sociedade e traça um painel irônico do mundo contemporâneo. Com direção e concepção de Bia Lessa, o elenco formado por Cláudia Abreu, Leandra Leal, Luiz Henrique Nogueira eRodrigo Pandolfo vive mais de 150 personagens de diferentes nacionalidades, em textos de Júlia Spadaccini, Jô Bilac e André Sant’anna, com citações de Franz Kafka e Paul Auster*. Integrando a programação do Catálogo Brasileiro de Teatro – 20ª Edição, o espetáculo será apresentado em Salvador dias 20 e 21 de Julho no Teatro Castro Alves.

O espetáculo aborda temas que afetam as condições de vida e questiona se as atitudes da humanidade produzirão um futuro apocalíptico ou se ainda é possível corrigir uma série de problemas estruturais que estão dizimando o planeta. A peça discorre sobre o indivíduo, a civilização, sexualidade, política, violência, nação, miséria, riqueza, consumo desenfreado, gênero e desejo. “Tudo o que é humano interessa, tudo que é próprio de cada um dos atores tem valor enquanto observação da vida, tal qual ela se apresenta agora”, afirma Bia Lessa. São projetados em tempo real números de assassinatos, estupros, nascimentos, narrações que apontam para uma saturação do sistema atual.

O texto foi sendo construído durante os ensaios. Os atores criaram uma série de improvisações e algumas foram incorporadas à dramaturgia final do espetáculo, que tem estrutura híbrida, através do diálogo com a dança, artes plásticas e performance. “A gente se colocou em experimentação, tudo foi criado a partir do encontro entre os atores e os textos. É um teatro de inconformidade, de risco, que busca criar uma experiência”, explica a diretora.

O projeto foi idealizado por Cláudia Abreu e Luiz Henrique Nogueira e, inicialmente, teria como foco os “excluídos sociais”, mas a chegada de Bia Lessa ampliou a temática, na busca de traçar um painel ilimitado de temas que afetam as condições de vida da humanidade. O próprio título do espetáculo traduz a ideia: ‘Pi’ é uma abreviação para ‘Panorâmica Insana’, mas remete também ao símbolo matemático “pi” (π), reforçando a ideia de fração infinita. A peça não busca apresentar um diagnóstico fechado, uma verdade cristalizada. É o momento, o “entre” o que foi feito e o que está por vir. O agora é ‘entre’, um intervalo, um impasse. A multiplicidade de personagens e as mais de onze mil roupas espalhadas pelo cenário reforçam essa ideia de pluralidade, de excessos e saturação, pelos quais passa o próprio planeta.

“Queríamos olhar para os excluídos e agora falamos sobre um sistema de vida que justamente cria essas exclusões”, afirma Nogueira. “A peça é um grande painel da humanidade, com suas mais urgentes, profundas e superficiais questões”, complementa Cláudia.

Dando sequência à pesquisa que a diretora vem desenvolvendo a partir do espetáculo Grande Sertão: Veredas, a trilha sonora é criada em várias camadas onde música, ruídos, ambientes e a voz dos atores (manipuladas tecnologicamente) dialogam entre si. “O uso de microfones permite a criação de ecos e metalização, o que dá a ideia de fúria, de discurso oco e vazio”, explica Bia.

A ficha técnica conta com Sylvie Leblanc no figurino, Dany Roland na pesquisa e trilha musical – parceiros de Bia Lessa há muitos anos. Amália Lima e João Saldanha, profissionais ligados à dança como assistentes de direção, e Bruno Siniscalchi como diretor assistente – parceiro de Bia Lessa no espetáculo Grande Sertão: VeredasEstevão Casé para a criação da espacialidade sonora e a manipulação das vozes dos atores. Essa sonorização especializada é parte fundamental da encenação, uma vez que cria ambiência compondo paisagens, utilizando-se de som cinema e não de teatro.

PiPanorâmica Insana’ foi eleito o Melhor Espetáculo do Ano pela Associação Paulista dos Críticos de Arte (APCA), estreou em 01 junho de 2018, no Teatro Novo, em São Paulo, e ficou em cartaz até 29 de julho, com todas as sessões esgotadas e se apresenta em Salvador pela programação do projeto Catálogo Brasileiro de Teatro, uma realização da Fred Soares Produções através da Lei de Incentivo a Cultura do Ministério da Cidadania e Governo Federal com apoio do Shopping da Bahia. O projeto além da promoção de espetáculos, promove a formação de plateia e estimula a cultura das artes cênicas em salvador, com workshops e debates que promovem maior acessibilidade, reflexão e intercâmbio para a cidade, sendo considerando o maior projeto de circulação teatral do país.

*Trecho do livro ACHEI QUE MEU PAI FOSSE DEUS, com organização e introdução do Paul Auster, Companhia das Letras pg. 111

Local: SALA PRINCIPAL do TCA.

Data: 20/07 às 21h e 21/07/2019 às 19h.

Classificação: Livre

CAPACIDADE: 1.554 LUGARES

INGRESSOS:  

SEM LIMITE DE DE COTA DE MEIA ENTRADA

A a P – R$ 140,00/R$70,00**

Q a W – R$ 120,00 /R$60,00

 X a Z4- R$ 80,00 /R$40,00

Z5 a Z11 – R$ 50,00/R$25,00

DESCONTOS INDIVIDUAIS: *(APENAS NAS BILHETERIAS FIXAS)

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